Conceitos usados indistintamente na indústria da moda, o Slow Fashion e Fast Fashion são movimentos diferentes, com objetivos opostos.

Enquanto um movimento investe na produção em massa e pensa na troca de peças de uma prateleira com rapidez em pouco tempo, o outro aborda uma produção lenta, que tem como foco principal a qualidade e a sustentabilidade.

Fast Fashion x Slow Fashion

Fast Fashion

Movimento que nasceu na Europa, o Fast Fashion foi criado quando várias empresas perceberam que havia um grande aumento de clientes nas lojas no momento em que suas coleções entravam em liquidação. O fato dos consumidores esperarem os preços das peças abaixarem para comprar chamou a atenção de marcas e, com a intenção de atrair cada vez mais público, inclusive durante o lançamento de coleções, além das épocas de promoções, foi desenvolvido o fast fashion, que consiste, basicamente, na troca rápida de vitrines, de coleção, de peças.

Geralmente as trocas de coleções acontecem a cada seis meses, mas neste conceito não, as lojas recebem novos produtos com grande frequência, mensalmente, semanalmente e, em alguns casos, até diariamente.

O resultado disso é uma variedade grande para o consumidor, que acaba ganhando motivos para visitar uma loja com mais frequência, uma vez que as peças de amanhã, não serão a mesmas de hoje e nem de ontem.

Um ponto importante de ser lembrado sobre o fast fashion é que não significa, necessariamente, peças baratas, apesar da produção ser grande e menos detalhista. Existem inúmeras marcas especializadas em peças para o público de alto poder aquisitivo, assim como existem marcas para outros públicos.

Slow Fashion

Já o Slow Fashion, enaltece as técnicas tradicionais e materiais sustentáveis e naturais, querendo chamar a atenção para o consumo consciente e valorizando a cultura, técnicas manuais e a história de cada peça produzida, por isso, virou a queridinha entre os estilistas que defendem peças atemporais.

O slow fashion é um movimento que incentiva uma produção de materiais com qualidade e que dá valor a produtos que possuam conexão e interação com o meio ambiente, possibilitando a visão dos impactos que escolhas de consumo podem fazer ao planeta.

Seguindo na contramão do fast fashion, o slow fashion tem como foco a arte, e não a indústria, produzido roupas atemporais, que prevalecem em qualquer estação, evitando que a peça seja descartada por ter deixado de ser tendência.

Ao contrário do fast fashion que nem sempre possui peças com um valor alto, o slow fashion costuma custar mais caro, por conta dos materiais que possuem qualidade e por não serem produzidas em grandes quantidades.

Apesar disso, as peças costumam possuir um bom custo-benefício, uma vez que duram mais tempo por conta dos materiais usados na produção e por serem usadas várias vezes.

Um ponto importante de ser destacado, é que a moda slow fashion é diferente da alta costura, pois não é um modelo especificamente para classe A e não usa materiais de luxo.

Meios de produção

Os meios de produção entre estes dois movimentos também são pontos importantes de serem citados.

Enquanto o slow fashion procura valorizar o reconhecimento de necessidades humanas e a priorização de fornecedores locais, a maioria das marcas que são adeptas ao fast fashion são também adeptas ao trabalho escravo e as chamadas “fábricas de suor”, parte de uma cadeia que tem interesse apenas no lucro que obterá no final do processo.

Apesar de encontrarmos mais pontos negativos na produção em massa do que na humanizada, o fast fashion é o movimento mais consumido tanto pelas marcas, quanto pelos consumidores, por inúmeros motivos, como a falta do conhecimento sobre o slow fashion, o valor e a praticidade.

No entanto, pelo fato de hoje em dia existir um número significativo de pessoas que se preocupam com o meio ambiente e de empresas que buscam ser sustentáveis, é previsto que, nos próximos anos, o slow fashion atraia mais adeptos, fazendo assim um novo mercado de moda surgir, com outros pensamentos, outros objetivos e outros conceitos.